Resiliência

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por Lucas Gaspar Ribeiro

Resiliência, eita palavra difícil de escrever, difícil de compreender, difícil de perceber (às vezes). Mas vivemos ela no dia a dia, seja conosco, seja com quem cuidamos, seja com quem cuida de nós (afinal também precisamos de cuidado).
Essa história é de uma paciente jovem, 40 e poucos anos, que comecei a atender ano passado, primeira consulta ela vem com uma queixa de um carocinho na mama, carocinho daqueles chatos sabe, que crescem rápido, que faz sair uma secreçãozinha da mama, e tudo mais.
Segunda consulta pá, diagnóstico “confirmado”, câncer de mama. Cara, como eu odeio dar esse tipo de notícia, como é dolorido para mim, mas eu tenho certeza que para o outro é muito pior!
Nessa consulta já encaminhamos ao centro de cuidados de câncer de mama para confirmar o diagnóstico e iniciar tratamento.
Ela volta 2 meses depois já sem a mama, para avaliar a cicatrização. Conversa vai, conversa vem, não é que foi uma amiga muito próxima que a operou e que está cuidando dela… Pessoa que fez faculdade comigo, que tenho total segurança em sua responsabilidade e cuidado (foi leve esse encontro, gratificante, e ela estava feliz, animada…).
Nosso próximo e último encontro (não foi porque ela faleceu, mas porque eu saí.. Fiquem tranquilos) foi há 1 mês atrás. Conversamos, rimos, trocamos carinhos (seja no olhar, seja no toque de mãos, seja num abraço).
Estava radiante! Contando que a melhor coisa que ocorreu em sua vida foi essa doença (acreditam?). Isso mudou sua vida, deu um significado. O significado de ir no hospital, ajudar, apoiar, reforçar, falar para as suas “companheiras” que tudo vai ficar bem, que tem lenços lindos, que tem perucas acessíveis. Doando suas mamas de mentirinha (as tais órteses e próteses) para quem precisava mais que ela.
No final, soltou uma pérola que hoje eu leio como um ótimo meio de definir a palavra lá do começo: Resiliência – a doença que veio é o vento, não é a morte. (Na minha simples interpretação: vem balança, agita, bagunça, mas continuamos ali.. Firmes e fortes…).
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Sobre o Básico e o Essencial

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Por Bruna Barreto*
1) Uma mãe que viu o filho se afundar nas drogas e ser assassinado e agora está em depressão;
2) Um senhor com seus lá 60 e poucos anos que viu umas manchinhas aparecerem pelo corpo e quer saber o que pode ser;
3)Uma trabalhadora braçal com “dor nas ancas”;
4)Outra trabalhadora braçal, com as pernas inchadas;
5)Um homem estressado no trabalho que vem à procura de um atestado por conta da terrível dor de cabeça, mas que na verdade quer uma mudança de vida;
6)Outra trabalhadora braçal, com “esporão nos pé” que dói uma dor que não passa com nadinha nadinha;
7)Uma adolescente que anda meio isolada, meio triste, sem vontade de viver, acha que podia abandonar tudo de uma vez que nem faria diferença;
8)Um senhorzinho que vem perguntar porque que o grupo de educação física não estava ali naquele dia, que precisa fazer os exercícios e na rua dele não dá por causa da criminalidade;
9)Um outro senhorzinho, diabetes descompensada, pressão alta, dificuldade pra respirar à noite, não vê efeito nos remédios;
10) Uma mulher de 27 anos que vem pedindo o check up porque a avó de 84 anos faleceu há uma semana e isso a assustou terrivelmente;
11) Uma mulher de 42 que vem pedindo a renovação da receita de antidepressivos. Tentou suicídio há uma semana, mas não era pra ninguém nem saber disso;
12)Uma mulher de 64 que veio pra conversar;
13)Um jovem, traficante, está com resfriado mas quer ser atendido antes de todos e quer todos os exames;
14) Uma mãe preocupada com a febre do filho;
15) Uma mulher grávida que vem para o acompanhamento da gestação, está feliz e realizada e sem intercorrências;
16) Outra mulher grávida, que não sabe que está grávida ainda porque sempre usou preservativos, mas acha que está com algum tipo de câncer por que a menstruação não desceu e anda meio enjoada;
17) Um homem preocupado porque acha que o filho é gay e acha que ser gay é doença;
18) Uma mulher de 37 anos que já está na segunda linha de terapia antirretroviral sem sucesso, sente-se mal e amaldiçoada;
19) Uma mulher de 24 anos, veio pois está com uma fratura. Mente pra você e pra todos os outros que foi um acidente doméstico, mas na verdade foi o namorado;
20) Uma criança com dor de ouvido, levada pelo pai preocupado que não quer perder o emprego, mas já é a quarta infecção do filho nesse ano e teve que esperar um tempão pra ser atendido – apesar do acesso avançado, apesar da escuta qualificada, apesar de tudo;
21) Um adolescente preocupado com as dores de cabeça inabituais que tem sentido;
22) Uma senhorinha que vem te entregar um pedaço de bolo e um caldo de cana, por causa daquela vez que você usou umas agulhinhas para tirar a dor de seu braço e também trouxe receitas pra renovar;
23) Um jovem que teve relações desprotegidas e está preocupado;
24) Uma senhora de 71 anos, vem renovar as receitas da polifarmácia. Está contente pois a medicação está funcionando;
25)Uma agente de saúde da unidade, que anda sentindo umas dores no peito meio estranhas quando fica muito nervosa ou faz esforços físicos;
26)Uma criança de 8 meses com falta de ar, que chega 1h30 antes do expediente acabar, mas é atendida e sai 100%, a mãe precisa de orientações quanto a outros sinais de gravidade e o que fazer e como;
27)Mais um moço que precisa de renovação de receita;
28) Uma senhora com a perna quebrada que necessita de uma carta à perícia;
29) Uma senhorinha aposentada que veio perguntar se os exames vão demorar muito. Ela vai contar, quando questionada sobre como anda a sua vida, que o neto andou batendo nela e que vai ao centro de Saúde porque ali tem apoio e se sente ouvida;
30) Outra mulher com dores nas costas;
31) Outro homem, com dor de garganta e febre há 4 dias;
32)Sua própria dor de cabeça que surgiu há duas horas e meia e só está piorando.
Nunca, JAMAIS, reduza esse dia a “32 atendimentos”. E nunca afirme que não foi complexo. Cada pessoa é um universo e lidar com gente é a coisa mais complexa que existe.
Médicos da atenção básica, vocês são essenciais!♡
* Bruna:
Oi!

Eu ainda sou estudante da graduação em medicina, mas nutro um amor imensurável pela medicina de família e de vez em quando compartilho textos que escrevo inspirados pelas minhas vivências com ela – seja em algum estágio, em alguma visita ao centro de saúde ou indiretamente, conversando com conhecidos.

Posso enviar uns textos mesmo assim?
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Quer enviar o seu também?
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Fb: causoslinicos
Instagram: Causos clinicos

As andorinhas da saúde

por Arthur Fernandes

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Fomos visitar dona Mocinha novamente, duas agentes de saúde e eu.
– Eita, eles chegaram! Chega, minha filha, abre a porta que as andorinhas da saúde tão aqui!
– Que coisa boa ver a senhora animada assim, dona Mocinha!
– É, meu filho. Eita, meu filho não, que o senhor é o doutor. Mas é, sua graça, eu tô melhor, visse?
– E aqueles passamentos? Ainda teve?
– Tive um, mas foi fraco. Abortei ele logo. O senhor sabe, eu peço a Deus, através dos remédios, que me ajude a melhorar.
– Bom saber! Mas me conte, como vão as coisas?
– Por aqui está tudo bem. Se sente aqui na sua cadeirinha, chegue.
Sua agente de saúde comenta:
– Eita, e o doutor já tem até cadeira aqui na sua casa, é?
– Iapois, menina. Eu gosto que só de receber vocês! Tava aqui assistindo ao jogo de bola na TV e lembrando do dia que o doutor trouxe aquele baralho. E eu pensando que era jogatina, tu crê? 😂😂😂
– Foi mesmo, né? Agora me diga outra coisa: sua filha estava me contando que a senhora está trelando, fazendo umas extravagâncias…
– Que conversa mais feia! Ela é muito é fofoqueira! O senhor passe um freio nessa menina, vi?
– Mas ela me falou que a senhora tomou muito café e ficou tonta. Deve ter afetado o labirinto, a senhora num sabe?
– Labirinto é o juízo? 😂
– Não, é um negócio que fica dentro do ouvido. Aí temos que evitar café, Coca, chocolate… pra não ofender ele. Tudo bem?
– Tudo bem. Agora falando em brebôte, minha menina comprou um pra tirar minha pressão. O senhor veja ali se presta, por favor.
(conferimos seu novo tensiômetro digital…)
– Está ótimo seu aparelho novo, viu?
– Que bom. Aproveitando que o senhor tá aqui, eu queria tirar umas dúvidas. Ia até perguntar antes a essa menina agente de saúde, mas achei o médico ia ser mais sabido.
– Pois eu acho que as meninas agentes de saúde sabem muito mais que eu! Elas estão aqui faz tempo, conhecem todo mundo. Eu cheguei um dia desses…
– É, mas o senhor é mais sabido das coisas, assim, dentro, né?  Elas têm sabedoria da clara, e o senhor tem sabedoria da gema.
– Ah, tá! 😂
.
(os nomes são fictícios e as estórias têm adaptações para preservar o sigilo das pessoas)

Enquanto rolam as discussões no Supremo…

por Eberhart Portocarrero Gross

Vem o casal, ela com 15 anos, ele com 16. Hoje não trouxeram a filha, que já está com quase dois anos. Entre outras coisas, ela comenta da menstruação atrasada. Na hora, após uma breve e desconfortável conversa, fazemos um teste de urina para gravidez. Positivo. Olham de novo. Positivo. Os olhos vão para o chão, para o teto. Transbordam as lágrimas.
– Não vamos poder ter esse filho agora, um diz, o outro concorda. Não há dinheiro, não há tempo – ambos tem que trabalhar para sustentar a filha que já têm e a si mesmos.
Conversamos sobre a possibilidade de apoio familiar, de oferecer para adoção, mais alternativas. Todas inviáveis para o casal.
– No fim, se vier, vou ter que criar, diz o pai, tenso. Não há mais o que pensar.
Ela olha para ele, e depois além dele.
– Não tem jeito. Deus que me perdoe. Vamos ter que tirar. – Chora mais. Ele concorda em silêncio. – Eu sei que é errado, e que pode ser perigoso. – Engole saliva, olha para a parede. – Eu sei que tem que fazer logo, eu sei que pode dar vários problemas, que muita gente faz errado… – De súbito ela se volta para mim, os olhos grandes, como se me notasse naquele momento:
– Como é o jeito certo de fazer?

Doutor Ernesto

por Antônio Modesto

Para Arthur

Ernesto era o tal “médico de família das antigas”: fez residência em Medicina Preventiva (a Geral Comunitária não existia na época, muito menos a de Família e Comunidade), foi médico de vila de pescadores e de aldeia rural, e hoje clinicava na cidade. “Até quando der”, dizia. “Vinte horas por semana eu dou conta”. Viúvo, filhos formados, netos vacinados e alfabetizados, ele sabia que estava nesse mundo até quando desse.

Atendeu esses dias uma mulher de trinta anos.

“Em que eu posso ajudar hoje?”

“Doutor Ernesto, eu tenho muita dor no pé quando esfria”

“Dor no pé quando esfria?”

“É. Não é qualquer frio, né, normalmente acontece quando está menos de dez graus”

“Nos dias mais frios de inverno, então”

“Ou quando eu viajo para lugar frio, tipo fim-de-semana na serra, sabe?”

“Claro. E quando está menos frio, uns quinze graus…?”

“Aí normal, sinto frio normal, mas meus pés não doem”

“E quando dói, você faz o quê?”

“Aí eu tenho que colocar meia”

“E quando você coloca meia…?”

“Aí a dor passa”

“Hum…”

“Só que meu namorado acha feio mulher dormir de meia, então eu queria ver o que que eu tenho, se tem algum tratamento, não sei…”

“Entendi. Mais alguma coisa te incomoda?”

“Não”

“Posso te examinar?”

“Pode!”

Mediu a pressão arterial e a frequência cardíaca; ouviu coração e pulmões; palpou pulsos centrais e periféricos;1 pediu que ela elevasse e abaixasse os membros inferiores para avaliar sua perfusão periférica – assim como fizeram médicos e médicos e médicos por gerações antes dele.

Fez perguntas enquanto a examinava. Nada mais a incomodava além da dor nos pés quando fazia menos de dez graus.

 

* * *

 

Um mau clínico não suportaria deixar aquela mulher sem algum diagnóstico. Diante de um exame físico praticamente normal – a mulher tinha a circulação um pouco lenta nas pontas dos dedos dos pés, mas as artérias dos seus pés pulsavam normalmente – daria início a uma cascata que começaria com exames reumatológicos, passaria por um ultrassom doppler de membros inferiores e poderia chegar até a uma polissonografia. Se depois de tudo isso não tivesse chegado a um diagnóstico ou encontrado um problema novo que desviasse a atenção, teria então a tranquilidade de escrever

 

HD: DOR EM MM.II. IDIOPÁTICA – ANSIEDADE?2

 

Recomendaria que a mulher procurasse um psicólogo para conversar sobre a vida e chamaria a próxima.

 

* * *

 

Um clínico muito virtuoso não desperdiçaria exames. Ao contrário, examinaria a mulher de cima abaixo, incluindo todos os seus reflexos e alguns testes de sensibilidade térmica e dolorosa. Dispensaria exames reumatológicos, porque “a clínica é soberana” e não havia critérios suficientes para essas doenças, mas talvez solicitasse um doppler de membros inferiores, porque insuficiência arterial periférica era um diagnóstico possível e errare humanum est. Doppler normal, registraria no prontuário

 

HD: DOR RECORRENTE EM MEMBROS INFERIORES IDIOPÁTICA. ANSIEDADE?

 

Recomendaria que a mulher procurasse um psicólogo para conversar sobre a dor e lamentaria secretamente não ter sido uma doença rara que gerasse um relato de caso.

 

* * *

 

Doutor Ernesto era um bom clínico, com a visão e tranquilidade dada pelos anos, pelos filhos formados, pelos netos vacinados e alfabetizados, pela esposa que morreu. Após examinar a mulher, disse:

“Isso que você tem não é doença, é uma característica sua. Tem gente que tem mais frio no pé, tem gente que tem menos. Se piorar, me procure. Enquanto isso, vou te recomendar uma coisa”

E escreveu em um receituário

 

RECOMENDAÇÃO MÉDICA

USAR MEIAS SEMPRE QUE A TEMPERATURA AMBIENTE FOR MENOR OU IGUAL A DEZ GRAUS.

 

Datou, carimbou, assinou, explicou a recomendação e, ao entregar a receita, olhou a mulher por cima dos óculos e disse:

“Ah… E manda seu namorado se catar”

 

* * *

 

1 Por exemplo, carótida (central) e punho (periférico).

2 Traduzindo, “hipótese diagnóstica: dor em membros inferiores sem causa definida, possivelmente relacionada a ansiedade”.

A importância da palavra

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Por Lucas Gaspar Ribeiro

Consulta 1

Primeira consulta de um recém-casada nascido, estava mais amarelo que a camisa da seleção brasileira. Pergunto se está tomando banho de sol? (Instrução dada na 1a consulta de enfermagem para todos os pais..)

– Está sim Dr, todos os dias, 30 minutos por dia de manhã, somente esses dois últimos dias que está chovendo que não consegui dar o banho de sol (fala do pai, reforçado pela mãe – uma bela visão de um casal jovem assumindo o cuidado juntos…).
A consulta se segue, e no meio dela, o pai pergunta.
– Mas doutor, me diz uma coisa, quando a gente dá banho de sol nele é preciso tirar a roupa dele? Porque estamos dando banho de roupinha mesmo…
Consulta 2
Primeira consulta de pré-natal, gestante que está acompanhando no hospital por complicações ma gravidez….
– Lucas, posso tirar uma dúvida com você?
– Claro, pode dizer sim..
– Eu queria entender como que meu neném vai conseguir mamar, porque ele não vai ter nariz..
– Como assim?
– Sabe o que é, quando fizeram o ultrassom nele, não acharam o ossinho do nariz dele, aí ele vai vir sem nariz né?

O dia em que não quis ser internada

por Lucas Gaspar Ribeiro

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Esse causo é algo interessante, como é difícil ser médico (daquele formado numa faculdade de alta relevância aqui e fora, conhecedor da biologia, dos fatores de risco e tudo mais), mas ao mesmo tempo ser de Família e Comunidade (conhecedor de gentes e contador de histórias como diz uma pessoa próxima..).
Contaremos então uma das histórias de uma paciente que vi muitas e muitas vezes, em casa, fora de casa, na unidade..  Uma daquelas pessoas de carinho fraternal, de conversa apenas com os olhos, que a gente não precisa de muito para fazer muito, sabem? Essa é Dona N.
Por esses dias ela veio na unidade contar que passou no hospital para fazer exames pré-operatórios de um câncer de útero (esse causo é outro e ainda virá).. Veio contando a nós que não estava passando muito bem, um pouco de cansaço, dor no peito, mal estar. Também tinha ficado o dia todo anterior no hospital, feito, 1, 2, 3 eletrocardiogramas (todos com ela), e quase a internaram ontem mesmo porque a frequência do coração estava 34 batimentos por minuto (o mínimo aceitável é 50!!). Mas liberaram, não estava sentindo nada..
Conversei com ela, confirmei que estava devagarinho aquele coração sofrido, mas feliz(!), estava 42 batimentos naquele momento.

– Dona N. com esse coração desse jeito, esse mal estar da senhora, não vai ter jeito, vamos ter que te internar hoje.
– Mas Dr. Luca (ela às vezes esquecia o S… Tudo bem, era carinho mesmo…), eu não posso internar hoje, não estou pronta, tenho muita coisa para resolver em casa.
– Mas é perigoso a senhora voltar pra casa, já aconteceu isso antes, conversamos sobre isso.
– Sim Dr, eu sei, eu sei que posso morrer em casa, sei que estou assumindo esse risco. Mas eu estou calma quanto a isso, estou feliz quando a isso. Eu quero assumir esse risco. Você sabe porque, eu tenho o Zé em casa (seu marido acamado), e ele depende de mim. Eu preciso ir para casa, pelo menos para organizar a minha vida, e a vida dele.

Ahh decisão difícil, saber que ela precisa dessa internação, que ela tem muito risco de morrer, de sofrer, mas ao mesmo tempo ver aqueles olhos sofridos, ver aqueles olhos “pedintes igual criança pedindo doce”, saber que o Zé precisa dela e ela dele (apesar de tantas peripécias e dificuldades da vida de ambos..). Biologia versus família, formação versus coração. Qual seria sua escolha? Acho que vocês já sabem da minha (está no título caro leitor…)
 – Ok Dona N, não vamos te internar agora, você sabe as coisas boas e ruins de internar, as facilidades e dificuldades que já passamos um bom tanto de vezes com essa história né?
– Sim Dr Luca, muito obrigado pela escolha (e os olhos brilharam…). Assim que eu resolver tudo eu volto, eu prometo.

3 dias depois ela volta, Dr Luca: eu estou pronta, vamos internar? E ela estava com a frequência 140 hoje…