Por Thaís Gonçalves Almeida, residente de Medicina de Família e Comunidade

Hoje minha 1ª paciente do dia foi uma puérpera, ao contrário do que se esperava já que estamos sem agenda na unidade para atender a pandemia de COVID.  Ela era uma gestante que eu acompanhei no pré-natal e, mesmo no meio da atual calamidade que assola o planeta terra, veio na unidade angustiada com seu bebê de 4 dias pois ele não estava mamando. Ela chorou contando que estava tudo bem quando recebeu alta do hospital, o bebê estava mamando bem com uma ótima pega, tudo bem redondinho.

Mas em casa, em meio a tanto estresse do puerpério – nem vamos citar a atual conjuntura -, percebeu que seu leite secou e que o bebê estava mais irritadiço, demonstrou angústia enorme por ser a causa sofrimento do seu filho. No exame físico, percebemos que havia colostro no seio e tranquilizamos a mãe, conversamos sobre as dificuldades desse período. Porém, quando soube do HGT do bebê, confesso que eu tive que controlar pra não demonstrar preocupação pra mãe, o bebê estava com hipoglicemia beeem importante e vários sinais de alerta ressoavam na minha mente! Ai minha Deusa e agora??


Respirei fundo, por fora me mantive plena e pedimos para mãe ir até o carro – onde o bebê estava – para amamentá-lo na nossa frente. Foi bem peculiar pois fizemos uma consulta com a paciente no carro, já que a unidade estava potencialmente contaminada devido ao COVID. Junto com uma enfermeira maravilhosa e com toda calma e cuidado, orientamos pequenos detalhes que ajudaram no desenrolar daquele momento único, extraordinário e também exaustivo que é nutrir uma vida. Conversamos com os jovens pais, reforçamos a importância da união entre eles, do estímulo, do autocuidado e vínculo naquele momento… tranquilizamos que não havia nada de errado com ela. O bebê foi extraordinário, sugando com uma ferocidade comovente!!


Agora, lendo minhas palavras, acho que não consegui descrever toda magia daquele momento… talvez o olhar dela conseguisse! Ou melhor, a diferença do olhar da chegada e o da saída… com gratidão e tranquilidade… quase mágica!


Por isso eu amo meu trabalho, amo meu poder de empoderar, orientar, fortalecer laços, tranquilizar… parece que o mundo flui melhor depois… desfazendo nós, construindo amor! ❤

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