Por Bruna Schneider Pinto Coelho, médica de família e comunidade

Exposta, ossos à flor da pele.

No frio do consultório

(arde fora o mormaço do fim de março)

Permaneço a respirar o ar de perdigotos que exalas

Atrás de meu avental

-tão somente equipamento de proteção individual

(ao vislumbrá-lo, me projetas imortal)

Mal suspeitas da minha reles humana condição

Frágil e perecível, assim como tu e teus avós.

Meus ouvidos tênues a perscrutar teus segredos ,

A adivinhar expectativas e secretos medos

Amores reclamados em rítmicas bulhas

Murmúrios vesiculares de afetos sofridos.

As mãos, ressequidas de álcool e sabão,

Contornam espinhelas caídas

Investigam quenturas doídas

Percutem hidroaéreos ruídos de teus sãos intestinos.

Silencia

Não.

A vida faz barulho, movimento desordena amotina 

Oficioso ócio até que…

Respiratório!

ameaçadoramente desliza face e em febre arde

Hesitantemente palpita.

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