Por Igor Oliveira, residente de Medicina de Família e Comunidade

As ruas estão vazias

Foi decretado que ninguém mais pode se abraçar

Descobrimos que

Não entrelaçamos enquanto era permitido se tocar

É então Momento de descobrir cantos da casa

Olhar pra lua mais do que a NASA

Brincar com o filho, falar com a esposa, cantar na varanda

Até enjoar…

Porque a gente enjoa da gente

Ficar sozinho é se maturar

E, de repente, cansamos do ato incansável que era descansar.

Lá fora

Circula um vírus que mal se pode ver

lavar a mão, focar na respiração

Triste, mas se isolar é fundamental para sobreviver

Vou falar que não vale mais aglomerar

Ficar no mesmo quarto?

“Doutor, eu moro num barraco. Lá na favela, não tem desse álcool, sabão nem sei quando consigo comprar”

A guerra é desigual!

Nenhuma doença teme o corona

Infartos, tuberculoses, migrânea,

Elas continuam a chegar

Heróis? Nessas horas?

Filhos, avós já senhoras

O médico, mesmo cético,

Com seus pares não pode encontrar

E quando isso acabará?

Ah, sabe-se lá.

Mas, ao raiar desse dia,

Preferirei ouvir que exageramos

Do que lamentar,

chorar e suportar

a dor de termos perdido aqueles amamos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s