Por Jéssica Leão, médica

Eu estou com falta de ar, meu peito não consegue segurar suas batidas. Minha cabeça não consegue regular tantos pensamentos. 

Quando a noite chega, vem o alento de uma paz desconhecida que é carregada na esperança de que amanhã vai ser outro dia, amanhã vai ser outro dia, não vai? Tem que ser.

Aí da 5h da manhã, o relógio desperta a mente de todos os sonhos e nos empurra para a realidade. 

A partir das 7 já temos uma tensão, que é mais que palpável, ela nos cobre, ela nos invade, ela nos paralisa, ela nos diminui à pequenez que me cabe. 

Se temos máscaras, não. Mas eu tinha umas guardadas e tenho as usado.

Sinto falta de ar usando a máscara.

Sinto falta de ar ouvindo essas histórias, lendo as notícias; minha saturação cai quando vejo que o coronavirus está aí solto, como uma ameaça invisível. E que nos estamos à espreita, preparados como podemos. 

Mas o corona não espera termos EPI, não espera termos planos de contingência,  não espera que a gente respire fundo e tente se livrar dessa maldita falta de ar e desse aperto no peito, dessa vontade de gritar por socorro.

Por trás das máscaras têm seres humanos, têm lágrimas. Por trás das máscaras tem gente a quem insistem em nos chamar de heróis. Que heróis? Como ser heróis, se por trás da máscara, é não ter uma máscara.

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