Por Carolina Reigada, médica de família e comunidade

Minha unidade básica de saúde se preparou para a pandemia do novo coronavírus. Temos uma sala só para atendimento de sintomáticos respiratórios, com uma equipe totalmente paramentada (cabeça aos pés) para atende-los.

Imagino que deve ser estranho ser atendido por alguém tão “encapotado”: touca, máscara, capote, luvas, óculos.

Esses dias eu estava escalada para essa equipe, nessa sala. Veio uma senhora, acompanhada da filha, e diagnosticamos uma pneumonia bacteriana. Pode ser grave, mas a princípio não tem relação com o COVID-19. Durante a conversa para definir nosso plano para consulta, a filha comenta:

– Eu só trouxe porque fiquei com medo desse vírus

– Sim, está em todos os lugares, mas não parece ser o caso da sua mãe.

– Mas ela teve contato com um chinês

– Uma pessoa chinesa que veio de viagem internacional?

– Não, passou na vendinha dela aqui no bairro. Ele fala português e tudo, mas tem o olho puxado. Será que tem perigo?

Em tempos de corona, me pareceu importante destacar que o pânico não pode alimentar a nossa xenofobia.

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