Pérola

por Carolina Reigada

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Quando a puérpera chegou para a consulta com sua bebê, brinquei: nossa, mas cadê aquela barriga toda?

“Nasceu!”

E como vocês estão?

A ex-gestante-atual-mãe-puérpera me olhou com olhos firmes e expressão convicta: ‘ela está machucando muito meu peito, mas não quero deixar de dar de mamar’.

Nossa, realmente os dois peitos estavam muito machucados. No exame da recém-nascida, percebi uma língua “presa”, que podia estar dificultando a pega. Rápida conversa com a dentista, conversamos com a mãe, e ela concordou com o procedimento: a dentista liberou a língua daquele freio crescido, para facilitar o trabalho daquelas duas, uma recém-mãe e uma recém-chegada a esse mundo.

Na outra consulta, como essa mãe estava mais feliz! Peitos sarados, amamentação estabelecida, as preocupações voaram longe.

Eis que a mãe precisa ser internada às pressas. Pedra na vesícula. Com sintomas, com infecção. Além da internação, cirurgia e antibióticos. Internada, ela continuou ordenhando, e a filha mamava sempre que possível. Mas o leite foi diminuindo. Fiquei sabendo dessa história toda na outra consulta, algumas semanas após a cirurgia, quando descobrimos que o peso da menina estava ruim. “Não teve o peito, e ela não aceitou a fórmula”. Nossa, como a mãe sofria. Me perguntou se o leite voltaria.

Claro, eu disse. Claro, o pai e marido disse. Ela olhou para ele agradecida.

Hoje ela voltou para a consulta de 6 meses da bebê. Eu nem lembrava desses obstáculos todos. Mas, completando 6 meses, fui conversar sobre alimentação complementar.

“A avó dá osso de galinha pra ela chupar, eu só me aventurei em dar fruta, mesmo”

Cada família com sua cultura, fui introduzindo as orientações de praxe (muito menos divertidas que o osso de galinha, tenho que admitir).

No meio da conversa sobre as comidas da bebê, perguntei:

“Ela ainda mama?”

“Sim!”

Mas gente, é que não tirei foto. Do sorriso. Da pura alegria desse “sim, ela mama”. Respondeu olhando para mim, logo olhou para a filha, descobriu o peito e deu para ela mamar. “Sim! Mesmo com tudo aquilo, eu consegui!”.

Que pérola foi aquele sorriso, aquele orgulho. Guardei pra mim, e quis dividir aqui também.

Ficam reforçando por aí que mãe é cuidado, mãe é amor…é, mãe é isso. Mas também é muita força, viu? Não esqueçam desse nosso lado.

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