Metacauso

 

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Por: Ana Paula Lemes Martins

A data: 05/12/2018

    É o dia Nacional do MFC e o Chefe escolheu pra o grande dia, o Lançamento do Livro Causos Clínicos no DF. De Goiânia até o Objeto Encontrado foram 3 horas de viagem incríveis com meu pai.
Na ida ele me explica que o amigo companheiro de pescaria fez uma cirurgia no joelho. “É gordo,  filha, não se cuida. Não teve jeito”.
Converso um pouco sobre os casos de pessoas cujos joelhos eu cuidei. Ele pergunta se não dá pra infiltrar corticoide na coluna de minha avó que está com hérnia de disco. “Vish, não sei não, pai”.
Ele ainda não acostumou com minha mania de ser médica e admitir que não sou onisciente. Eu rio internamente  da cara que ele sempre faz…
Como todo pai coruja,  fala do meu irmãozinho de 4 anos. “É inteligente igual você,  filha. Ele sabe música,  tudo”. Nessa hora, vêm à minha mente que talvez ele não esquece o episódio da harpa da minha tia que eu afinei sozinha e toquei Parabéns pra Você. Eu tinha uns 7 anos.
Depois conta que tem viajado com o Tadeu, um amigo dele há mais de 35 anos. O Tadeu é o Tadeu. Meu pai o fiscal da obra, o “Doutor” que almoça, janta e hospeda com todo o pessoal da obra. É um engenheiro “sem cara de engenheiro”. Eu amo isso nele.
Ele fala novamente da coluna da minha avó. Ele tá realmente preocupado. Mas acha que ela não tem agido pra melhorar de fato: muito obesa, minha filha… ela reclama, mas não muda de vida.
Então ele conta daquela “ponte ali, ela começou a obra assim que eu enfartei…” Segue adiante conectando engenharia e medicina de uma forma tão bela,  impossível descrever em palavras escritas.

A gente dá uma perdida em Brasília. Só pra variar (todo mundo se perde lá). Ele agradece a Deus pelo GPS. E dentro dele, eu sei, tem um “Deus me livre, atrasar”.

Encontro o Rodrigo e a Thais (sem acento,  viu?). Meu pai fica no carro, depois vai investigar a quadra, caminha pra caramba… afinal “ele não é obeso” por isso! Caminha muito esse jovem idoso de 1955. O Lugar Encontrado é todo aberto, ele chega e sai toda hora de lá. 

A volta foi a mais interessante ainda. Ele revela que durante as 4 formações que fez,  recebeu ajuda dos amigos e dos professores. Ajuda financeira, com deveres de casa, arredondando notas… descreveu muita atitude bacana de pessoas das quais eu me tornei agradecida sem conhecer ou lembrar. Cursos Técnico em Agrimensura e em Estradas, Bacharelado em Matemática e Engenharia Civil. Esses dois últimos foram um seguido do outro. Ele formou eu tinha 15 anos. Nossa foto dançando valsa parece festa de debutante. Diz ele que não é inteligente e só conseguiu porque recebeu muita ajuda. Sei…

Foi então que entendi. Ele esteve o tempo todo ao derredor. Ele me ouviu no microfone ler o causo no Evento! O causo falava dele. Dos banhos de chuva que me fizeram (e fazem) ser mais feliz. 

Ele estava dizendo, sem precisar falar: vai passar, filha, vai ficar tudo bem, você vai superar tudo isso. Eu estou aqui.

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