O paciente ou a pessoa?

por Lucas Gaspar Ribeiro

Muitas vezes a gente olha mais para nós e o que nós queremos curar, ou o que nós queremos ajudar, ou que acreditamos que incomoda. Essa é a leitura de quem está olhando de fora, olhando o todo, olhando o “problema”. Mas será que sei mesmo qual o problema? 

Será que consigo identificar quem é que precisa ser curado, ser ajudado, ser auxiliado? 

Mais ainda, será que sei mesmo o que e como procurar? 

Não sei, estou na dúvida. 

 

Acho que dei passos maiores que as pernas, acho que avancei o sinal mais de uma vez… 

 

Olhar para o outro é diferente de querer assumir posturas para o outro…  

Infelizmente, o médico, seja ele qual for, tem essa característica, algumas vezes mais intensas, outras mais leves.. Mas assumir o cuidado, assumir a responsabilidade de fazer, de não fazer, de ajudar a opinar em algo ou não… 

 

Mas qual nossa real possibilidade de fazer, de cuidar, de olhar para o outro. Será que acolher, ouvir, respeitar o outro, respeitar o espaço do outro não é suficiente? Porque assumir uma prescrição, assumir um cuidado, assumir uma terapêutica que muitas vezes pode não ser a melhor, pode dar resultados indesejáveis, pode causar dor, sofrimento, danos? 

 

Hoje, pensando, repensando, falando, ouvindo, vivendo e vivenciando como pessoa responsável pelo cuidado penso.. Quantas queixas, quantas dúvidas, quantas angústias chegam de forma ativa a nós e precisamos tomar um “partido”(mesmo que não seja tomar partido nenhum – isso já é tomar um lado…). Ou o contrário, quantas coisas ocultas, ou conversas, ou desabafos, ou apenas conversa jogada fora a gente, com esse olhar sempre questionador, buscando “problemas” e, claro, soluções não fazemos dum espaço protegido uma consulta, uma intervenção, uma escolha… 

 

Agora penso qual o limite de ouvinte, de pessoa próxima, de cuidador, de relação fraternal e de relação médica? Será que temos pontos, limites, mudanças e marcações para isso? Como não ir demais pra frente, ou ficar demais para trás… 

Acho que a resposta é sempre um questionamento que fazemos quando médicos, mas esquecemos de fazer como pessoas: o que eu posso fazer por você? Como eu posso te ajudar.. Será que eu posso te ajudar de alguma outra forma? 

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