Eu não durmo no hospital

bbc

Por Maira Beatriz Carrozza*

Eu não trabalho no hospital 24 horas por dia, na verdade, minha carga horária dentro de um pronto socorro não ultrapassa 12 horas por semana.

Embora eu tenha sim passado algumas noites no hospital, na maioria dos dias eu durmo no conforto da minha cama.

Não quero desmerecer meus colegas que passam longas horas exaustivas no turbulento ambiente de uma emergência, na verdade tudo isso faz parte do cuidado da uma rede de saúde.

E por falar em rede de saúde, vou pedir licença a esses colegas para focar no nível de atenção primária. Para os leigos ou os não tão leigos assim, quando se fala em níveis de saúde, tem-se a divisão: atenção primária, atenção secundária, atenção terciária. De uma forma bem sucinta e prática, a atenção primária é responsável por toda parte de prevenção e cuidado integral do indivíduo, sendo ela representada pelas estratégias de saúde da família.

É numa dessas aí que eu trabalho. Aprendendo sempre que cada um que eu atendo é único. Tem seus sintomas, seus próprios entendimentos e sentimentos sobre aquele sintoma. Está inserido numa família única que faz parte de uma comunidade única, com características territoriais e epidemiológicas particulares.

E, apesar de eu não trabalhar integralmente em um hospital, muitas vezes eu vou no hospital visitar meus pacientes que precisaram ser internados. Divido com eles a angústia de sair do conforto do cantinho deles que é tão deles mesmo.

Eu não tenho uma rotina exaustiva dentro de um pronto socorro, mas em todas as minhas consultas eu falo com meus pacientes sobre a exaustão e a angústia que eles têm de se sentirem doentes.

Eu não durmo no hospitalEu, na maioria das vezes, tenho o conforto da minha cama pra dormir. E todos os dias quando deito, penso nas peculiaridades de cada um que atendi, com seus sentimentos, suas limitações, suas vontades e dificuldades… e sei, que pelo menos um pouquinho, fiz a diferença no dia de alguém. Mas eles… ah, eles fazem toda diferença pra mim!

E com todos esses pensamentos, pego no sono.

 

  • Maria Beatriz é residente do 1 ano de MFC em Puso Alegre e compartilhou com  o blog seu Causo. Caso queira também compartilhar o seu causo, envie para causosclinicos@gmail.com
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