Saída pela tangente

por Lucas Gaspar

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Ontem atendi uma paciente de eventual (encaixe) que veio porque estava com muita dor de cabeça desde a noite anterior.

Conversa vai, conversa vem e ela me conta que a causa dessa dor de cabeça é porque ela brigou muito com a filha ontem, uma garota de 18 anos.

Refere que não aceita o namorado de sua filha, estão juntos há aproximadamente 2 meses.

Ela diz que o namorado é traficante, que agora está até “subindo de escalão” dentro da “comunidade”. Isso a deixa muito irritada, muito nervosa. Fala com sua filha que está errado, que não é um “moço bom, um moço de Deus” (já já entro nesse detalhe), e isso pode atrapalhar toda a vida dela, que ela pode ser presa, enfim tudo que poderia falar.

Mas como todo bom adolescente, não ouve a mãe e pede que a mãe respeite suas escolhas, pois já é adulta – isso leva a uma guerra dentro de casa.

O pai também é contra isso, gostaria de ligar para a polícia e denunciar o rapaz por tráfico.

A família é extremamente religiosa, falei que voltaria. Faço um parêntese, não tenho nada contra religião alguma, muito pelo contrário, apoio todas e acho que é terapêutico muitas vezes. Voltando, a família é muito religiosa, são evangélicos, e o discurso da mãe, em todas as consultas, é voltado a Deus, a Igreja, ao sacrifício. E eles têm uma preocupação muito grande de como a família pode ser vista dentro da comunidade evangélica devido a isso.

Eu estava em uma sinuca de bico nessa consulta, foi uma consulta onde a mãe falou o tempo todo da relação dos pais com a filha e o namorado. Como isso estava afetando sua casa (e eu conheço apenas a paciente, não conheço nenhum familiar a mais). Frente a isso uma ferramenta que gosto muito é a abordagem familiar, tentar conversar com todos ao mesmo tempo, ouvir, ponderar, achar caminhos comuns, mas como ali, sem conhecer ninguém. Pensei, uai, se a menina não ouve a mãe, será que vai ouvir um estranho completo (eu)???

Foi aí que me veio uma iluminação divina, o pastor, claro!!!

Combinei com a paciente que a melhor pessoa para intervir no caso não seriam os pais, porque o adolescente muitas vezes é dono do próprio nariz, tem superpoderes e o tudo que os pais falam não são verdades e/ou coisas boas. Mas como a família toda tem uma ótima relação dentro da comunidade, da igreja que frequenta, a melhor pessoa para intervir nessa casa seria a pessoa que eles mais confiam, o pastor!

Com isso, combinei com a paciente que ela leve a filha, o marido e ela mesma para uma abordagem “pastoral”, e quem sabe, como eles confiam muito nessa pessoa, os olhos da criança não se abrem para a realidade e ela ouve um pouco os outros, que não os pais… Agora é esperar para ver se o golpe divino deu certo, e se minha saída foi adequada… logo teremos notícias

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