Fibromialgia

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por Mônica Lima

Um dia nem tão típico de saúde da família é aquele repleto de coisas novas, pois depois de dois anos em um determinado lugar aqueles pacientes mais complicados já passaram e a coisa começa a ser meio monótona, porém, pelo menos 3 ou 4 vezes no mês vem aquele dia, aquele em que entra de tudo um pouco no seu dia, misturando visitas domiciliares e atendimentos. Semana passada tive um dia assim, muitos novos pacientes (tivemos uma alteração na área de abrangência e há muitos que moravam em cidades maiores que ficaram sem emprego e voltaram para perto da familia) , de repente Cajati meio que explodiu, infelizmente com essa explosão vem também a violência, assaltos e coisas sobre as quais temos menos costume de lidar.

Mas, voltando aquele dia, não só os pacientes eram variados e muitos de primeira vez, mas aqueles que têm 5, 6, 7 problemas para relacionar, e é incrível como eles não tem pressa depois que sentam naquela cadeira!!!! E então a gente fica esgotado física e emocionalmente.

A penúltima consulta do dia me levou uma hora. Uma hora tia?! Vocês podem perguntar. Sim uma hora, paciente jovem com dor do fio do cabelo ao dedão do pé, choques e parestesias para todos os lados, 432 exames feitos, de ressonância da coluna a tomografia, ultrassons , exames laboratoriais, consultas com neurologistas, reumatologistas, psiquiatras, etc…

Diagnóstico? Claro, todos os colegas sabiam, e todos escreveram: fibromialgia. Ela também sabe, uma ansiedade nítida nos olhos, uma sede de cura, uma busca frenética de algo que seja palpável, extirpável, mas não é.

Reclino-me na cadeira e pergunto, diante de tudo isso, qual a sua expectativa hoje aqui comigo? O que você busca? Uma hora de conversa, uma hora de questionamentos sobre os motivos e as motivações. O que posso te oferecer aqui menina?

Ela olha pra mim meio confusa com a pergunta, talvez a busca dela fosse por mais exames, por mais remédios, por outro diagnóstico, mas ela é muito inteligente, entendeu perfeitamente o que eu quis dizer, naquele momento senti que o grau de ansiedade dela diminuiu drasticamente, ela relaxou, se recortou na cadeira, e então pudemos entrar em acordo sobre o que poderia oferecer ali no posto de saúde: parceria, conforto e cuidado.

Na massacrante maioria das vezes não temos respostas, muito menos certezas. Mas temos uma coisa que jamais será substituído pela tecnologia: o coração. E a cura será que poderá vir daí?

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