Companheira

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por Rodrigo Lima

Alberto, 50 e poucos anos, usando um antidepressivo há alguns anos para controlar sua irritabilidade. Diz que é muito nervoso, e que com o remédio se sentia mais controlado. Diz que muitas coisas o preocupam, mas que tem muito apoio de sua companheira, que é muito tranquila. Se não fosse por ela, diz ele, perderia o controle quase todo dia. Avisa que ela será a próxima a ser atendida.

Sai Alberto, entra Clara, quase da mesma idade. Começa a consulta trazendo uns exames velhos sem quaisquer alterações, quer saber o que eu acho deles, e começa o rosário de queixas: palpitações, sensação de aperto no peito, fôlego curto às vezes, perturbações do sono, irritabilidade. Enquanto explorávamos sua história ela vai desmoronando emocionalmente, e menciona que talvez precisasse de um psicólogo, e que seu marido também. Diz que o marido era o paciente que atendi antes dela, e que ele é muito nervoso. Comentei que ele me disse o mesmo, e que falou que ficava melhor com ela por causa da tranquilidade que ela tinha. Ela imediatamente se recompõe, dá um sorriso amarelo e disse: “é, sou tranquila mesmo”.

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