Será?

Por Lucas Gaspar Ribeiro

Fato interessante e recorrente nas últimas semanas: quase todos os pacientes estão falando assim: Doutor, não vai embora mais não, fica aqui com a gente. Porque todos os médicos que vêm aqui ficam pouco tempo e vão embora.

Quando ouço isso é um misto de felicidade e tristeza ao mesmo tempo, digo o porquê:

Felicidade porque se estão pedindo para eu ficar, é sinal que estou fazendo um trabalho bem feito, estou conseguindo ter uma ligação com os pacientes, a empatia, a troca. Características peculiares e essenciais dentro da saúde da família. São sinais indiretos que estou no caminho certo, mesmo caminhando sozinho há apenas 8 meses, quando acabei a residência.

E a tristeza, já que eles querem que eu fique?

Perceber que uma unidade, uma equipe, uma população que está no mesmo lugar há 8 anos ainda não conheceu a base da saúde da família, a essência, o grande diferencial, que é a longitudinalidade. Isso sim me deixa chateado.

Atender paciente atrás de paciente e perceber que nunca tiveram seguimento, nunca tiveram um médico para chamar de seu. Revirando os prontuários, procurando suas histórias, vejo letras e carimbos diferentes, ano após ano, uma pessoa diferente.

Agora fica minha dúvida: como isso aconteceu? Porque isso aconteceu? Será que eu vou ser igual ou diferente? Tenho medo de seguir o mesmo caminho…

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