Uso interno

por Belise Evangelista

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Minha primeira turma de internos, sexto ano, poucos meses e carimbo na mão. Caramba, como poderia eu conduzir essa nova missão? Médica de família, atendendo dentro de uma Estratégia Saúde da Família. Lá vamos nós para essa missão. Quase um plágio do capitão Nascimento, “Missão dada é missão cumprida!”. Meu trio: um ortopedista, uma emergencista e um cirurgião do aparelho digestivo. Isso mesmo, não eram apenas internos, todos já sabiam o que queriam dentro da Medicina. E como falar em atendimento longitudinal? Integralidade? Acesso?

Lá vai eu…

Meus pacientes, após 2 anos de vínculo, construído com a graça de Deus, (isso mesmo, Ele que me ajuda!), aceitaram tranquilamente os “novos médicos” e me ajudaram na inserção desses graduandos. Três semanas com os mesmos, como fazer a “coisa” funcionar? Vamos embarcar nessa aventura.

– “Dra. Paciente poliqueixosa…” (ops, primeira inferência)

– “Que tal mudar essa palavra? O que acham de ‘múltiplas demandas?’ – caras e bocas me encaram… rs…

– “Como assim professora?” – retrucam. Inicio a explicação. As carinhas mudam e sorrisos surgem. Nos dias seguintes o termo passou a ser utilizado com muita graça, e habilidade comunicativa foi sendo construída.

Dias passam e lá vem a conduta postergada para o dia seguinte. Olhos arregalados me olham com indignação. – “Dra. Como mandar esse paciente embora para retornar amanhã? – “Que tal uma palavrinha mágica: ‘longitudinalidade’? – “Oi?!?!” (lá vai eu ‘firular’ dentro da Medicina de Família e Comunidade – amo isso!)

– “Diante de tudo que o paciente está sentindo o que podemos resolver hoje? Que tal conversar hoje fornecendo uma ‘escuta ativa’ (ihhhh agora lascou tudo, pensa nas caras) e solicitar retorno amanhã garantindo que a conduta será preservada?”

– “Hummmmm doutora, legal isso… hoje ele estava muito ansioso, vamos ver como será amanhã.”

– “Dra, pensa que ele voltou bem melhor! Se abriu comigo. Falou que o casamento está meio complicado…” – “Olha só. Ontem teríamos conseguido alguma coisa? A ‘escuta ativa’ é uma excelente ferramenta do Médico de Família e Comunidade …

– “Hum. Então é uma conduta?”

– “Por que não?”

E as três semanas se passaram…. Certo curso de docência me fez refletir sobre ser docente, o feedback do aluno me faz crescer no processo de aprendizagem. Sendo assim, aguardo a historinha dos meus primeiros internos sobre como foi a experiência com a Medicina de família há poucos meses de terem o tão sonhado CRM…

2 comentários sobre “Uso interno

  1. adoro esses casos. Assim fica mais fácil entender a função do médico no seu todo. Mas estou aprendendo tambem como é importante ouvir as pessoas, com paciencia.

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