Sob o teto

por Monica Correia LimaResultado de imagem para familia pintura

É uma honra e um privilégio para qualquer profissional da saúde adentrar um domicílio e ter o respeito de seus membros, podendo através dele influenciar uma família afim de melhorar a vida de um ou mais.

Dona Raquel precisava dessa abordagem, de uma hora para outra sua pressão começou a subir, nossa sensação como equipe era que algo estava errado, medidas não farmacológicas não funcionaram mas entrar com medicação não estava nos nossos planos.

Foi então que pensamos em fazer uma conferência familiar, foi uma de minhas primeiras experiências com esse tipo de abordagem, minha formação anterior à medicina seria muito útil mas gostaria que a universidade tivesse me dado esse preparo, infelizmente não deu. O caso era meio complexo mas entendo que todas as vezes é assim, pois se fosse fácil não precisaria de conferência familiar.

Dona Raquel estava perdendo a visão rapidamente por causa de um glaucoma, estava frustrada por causa da sua limitação para sair de casa e ir à igreja, aborrecida porque o marido usava medicação para epilepsia mas não com a frequência que precisava usar e então tinha crises convulsivas, a filha mais nova estava namorando e ficava a noite fora de casa só voltando de manhã e ela se aborrecia, esse era o contexto.

Em casa, ali a duas ou três casas próximas ao posto, sentamos no sofá com dona Raquel, esposo, e duas filhas, a enfermeira e a ACS . Mostramos o problema: a pressão de dona Raquel , o que fazer? Não creio que seria adequado mostrar respostas mas trazer perguntas, ajudar na exposição dos problemas e dar suporte a família no planejamento de ações, desta forma, as sugestões vieram da própria família – pois se conselho fosse bom seria vendido. Várias decisões foram tomadas ali, e fizemos o seguimento.

No retorno dona Raquel estava com a pressão normal, mais animada e com energia, tem saído de casa, não falta mais os cultos, as pessoas da igreja vêm buscá-la para as atividades e ela voltou à ativa, esse foi o passo fundamental (e o de resposta mais imediata), mas não ficou só aí. O marido se comprometeu a tomar as medicações adequadamente, ajudar mais e preocupar menos a esposa (demorou um pouco e precisamos de algumas outras intervenções mas funcionou)!

A filha? Bem, essa foi a parte melhor de boa (se é que esse termo existe), pois acabou em festa! O casório saiu! (Tenho uma amiga que costuma dizer que sapo apertado é o que pula, e pular funciona!)

Que honra é poder participar desse processo quando visa a saúde dentro da família, é um pouco de tudo, de chorar e rir, de se preocupar e procurar soluções, de abraçar e puxar a orelha. Somos insignificantes, muitas vezes não sabemos o melhor caminho para nossas próprias vidas mas, quando somos verdadeiramente usados para ajudar os outros, nos encontramos e lembramos porque estamos aqui!

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