D. Joana

por Marina Galhardi

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“Lhe concordo, doutor: sou eu que invento minhas doenças. Mas eu, velho e sozinho, o que posso fazer? Estar doente é minha única maneira de provar que estou vivo” (O fio das missangas, Mia Couto)

D. Joana e eu temos já um laço desses. Ela me cuida e eu cuido dela. Um dia que eu passei mal dentro da unidade, ela veio, me abraçou e disse “eu já remarquei minha consulta viu para outro dia, só vim lhe dar um beijo para que você melhore logo”, e eu melhorei.
Num dia desses ela veio com a filha, evento diferente. Estava eu dói onde, como é a dor, quando começou, o que lhe preocupa. E então:

“Dona Joana, essa dor parece ser mesmo muscular, não tem nada de alterado agora que eu lhe examinei, a não ser que dói bem quando aperta ali. Podemos lhe deixar um anti-inflamatório, já que os analgésicos não estão resolvendo. O que acha?”

“Ah, não quero. Esse ai pesa no meu estômago.”

“Uhmm, está bem…o que gostaria de fazer então?”

Pausa. Ela pensa.

“Ó doutora, não tem como assim eu ir para um hospital?”

“Mas porque, D. Joana?” (sorrio)

“Porque lá eles cuidam da gente…”

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