Amargo e Necessário

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Por: Giulia Balbao
-Esse exame aqui tem que pagar?
-Não, é pelo SUS, assim como todo seu atendimento aqui. Só precisa ir colher sangue lá no centro.
-Vou esperar então, Dra Giulia, tô sem dinheiro.
-Mas você não vai pagar pelo exame, não.
-Dra, eu não tenho dinheiro do circular pra chegar lá.
-Entendo…
-Eu sai do interior há dois anos porque arranjei um marido aqui. Lá a vida é pior, você nem vai saber. Aqui é bom.
-E você está feliz agora?
-Ele é bom para mim. Mas fico aperreada quando bebe.
-Cachaça, é?
-Demais. Todo dia, todo dia diz que vai parar.
-Ele fica agressivo quando bebe?
-Ele bate em mim, Dra. Mas não machuca.

Engoli seco. Doeu. Conversamos.
Lá é difícil, aqui também, e ela deve ter razão: mais uma vez, eu nem vou saber. Nem eu, nem vocês.

Esse é um caso real -mais um- e ilustra a violência doméstica que mata e mutila, diariamente, num país que é um dos campeões em matar mulher no mundo.
Divido com vocês, é sempre amargo e necessário lembrar.
A identidade da vítima e outras referências jamais serão citadas.

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