Aquela profunda procrastinação ou Sobre (re)escrever o mundo

https://i1.wp.com/chavesdaclara.com.br/blog/wp-content/uploads/2016/08/eu-outro-825x510.jpg

por Raquel Vaz Cardoso

Tenho vários jeitos de (re)escrever o mundo
Qual deles seria o melhor?
Aquele que conto os meus feitos?
Ou que conto os feitos de outrem?
Aquele em que aceito a verdade do mundo? Verdade?
Ou os feitos em algum lugar entre mim e outrem?
Preciso aceitar que os diagnósticos não são feitos por mim ou pela pessoa que busca o cuidado.
Seria por nós conjuntamente atravessados por um arcabouço epistemológico, científico, econômico, político, que define o que pode, o que deve, ou o que é bom que seja diagnosticado?
Reconhecido.
Me perco na tentativa de (re)escrever a minha prática, de reconhecer o mundo.
Quero eu diagnosticar a fome? Ou devo eu diagnosticar a dispepsia nossa de cada dia.
Quero eu diagnosticar a miséria? Que te assola. Que me assola enquanto ser humano.
Que nos assola enquanto humanidade? Ou devo eu diagnosticar o sofrimento mental, a ansiedade, a depressão, o TOC, o pânico?
Quero eu diagnosticar a dor? Quero eu curar a dor do outro? A dor do mundo? Ou quero eu quantificar, medir, perscrutar, transfixar a minha própria dor cuidando do outro? Quanto da dor de uma pessoa cabe em ou quanto uma pessoa deseja um diagnóstico? Quanta dor cabe numa história?
Invoco o não saber e abandono o primeiro rascunho de um causo clínico.
Que o onipotente não saber me traga paz.

(créditos da imagem: http://chavesdaclara.com.br/blog/index.php/eu-e-o-outro/)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s