febre por dentro

por Alfredo Oliveira Neto

(para Júlia Rocha)

quando Celsius beija o Farenheit do meu desejo

me sinto inteiro, quente, maneiro

38 é quase minha idade e por maturidade

minha velhice vira bebê

me sinto prenho e mantenho uma chama

de delícia nas minhas entranhas

nada do que é pouco me sacia

e nunca saberia que

grau tem a ver com quentura

39 ou 40

pra mim é par de sapato

porque tudo o que me esquenta é doçura

e nem você de cima do seu salto

e do seu sentimento

perceberá de leve que agora

o nada que eu sinto por fora

vem da febre de tudo que eu sinto por dentro

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