A um paciente

por Mônica Lima

Não era só mais um bêbado
Era seu Euclides
Meu amigo
Pobre de ti
para quem a medicina
chegou tarde demais
Que não impediu
Que o álcool te destruísse
Que teus órgãos falhassem
tua forma se modificasse
e de tua boca jorrasse sangue
Que teu hálito, tua pele,
teu rosto, tua vida…
Tarde demais
Para impedir
tua fraqueza
tua carência
de saúde, de equilíbrio, de atenção, de cuidados sem preconceito
Pobre de ti paciente
Paciente com tua própria doença
esperando o derradeiro dia
Em que teu corpo jogado ao leito
tua boca com gosto de sangue
tua mente se esvaindo de consciência
teu pulso débil
te levarão para uma nova casa
onde não haverá mais medicina
e tão pouco,
tarde demais…

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